Vice americano defende comentários contraditórios de Trump sobre prisão de Assange

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, defendeu nesta sexta-feira (12) as afirmações contraditórias do presidente Donald Trump em relação à prisão de Julian Assange, criador do WikiLeaks, na sede da embaixada equatoriana no Reino Unido.

As autoridades americanas consideram o hacker de 47 anos uma ameaça à segurança do país em razão dos vazamentos de uma série de documentos confidenciais por meio da organização que fundou.

A primeira reação de Trump, ao saber que Assange havia sido preso, foi desdenhosa, ao declarar aos repórteres: “Não sei nada sobre o WikiLeaks. Não tenho nada a ver com isso”.

O comentário chamou a atenção porque, durante a campanha presidencial em 2016, Trump elogiou e encorajou inúmeras vezes o site de vazamento de informações confidenciais.

“Eu amo o WikiLeaks”, afirmou ele, empolgado, em um comício, depois que a plataforma vazou documentos que prejudicaram sua adversária democrata, Hillary Clinton.

Pence declarou à CNN que Trump apenas apoiou a exposição de informações durante a eleição, não o WikiLeaks em si.

“Eu acho que o presidente, como vocês e a mídia, sempre acolhe bem as informações”, declarou Pence. Mas isso não era de forma alguma um endosso a uma organização que agora entendemos estar envolvida na disseminação de informações classificadas como sigilosas pelos Estados Unidos da América”, acrescentou.

Prisão de Wandsworth, em Londres, onde Julian Assange está preso – AFP

Assange passou sua primeira noite detido em Londres, na penitenciária de Belmarsh, no sudeste da cidade.

Belmarsh é uma prisão de segurança máxima para presos do sexo masculino, com capacidade para 910 prisioneiros, incluindo estrangeiros e detentos que despertam forte interesse público.

O australiano enfrenta a partir desta sexta-feira uma longa batalha judicial que vai definir uma possível extradição para os Estados Unidos, depois de ficar quase sete anos refugiado na Embaixada do Equador no Reino Unido. O trâmite judicial pode durar entre um ano e meio e dois anos.

Após ser preso, Assange foi apresentado a um tribunal de Westminster. “Você aceita o pedido de extradição [americano]?”, perguntou o juiz Michael Snow.

Assange respondeu que não. Sua advogada disse que ele vai lutar contra a extradição. O pedido dos EUA será examinado em uma audiência no dia 2 de maio.

Agentes consulares australianos vão solicitar uma visita, segundo a chanceler Marise Payne, que se disse “convencida que vão tratá-lo de maneira justa”.

“O governo britânico deve garantir que um jornalista nunca seja extraditado para os EUA por ter publicado documentos e vídeos [que mostram] assassinatos de cidadãos inocentes”, disse o editor do WikiLeaks Kristin Hrafnsson, que pediu ao governo britânico que negue o pedido de extradição.

“Não há garantia alguma de que uma acusação adicional não será produzida” uma vez que ele estiver em solo americano, acrescentou.

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, também pediu ao governo conservador de Theresa May que se oponha ao pedido de extradição “por ter exposto evidências das atrocidades no Iraque e no Afeganistão”.

“No Reino Unido, ninguém está acima da lei”, disse May na quinta-feira (11) na Câmara dos Comuns.

Os vizinhos da embaixada equatoriana em Londres estão aliviados. “Meu Deus, o pesadelo acabou, que alívio”, exclama Tony Knight, consultor financeiro sexagenário que mora no Chelsea, elegante bairro perto da embaixada.

“Em toda essa área, as pessoas que moram aqui ficavam incomodadas com o que acontecia. Houve presença policial, manifestações”, disse. “Não foi diariamente, mas a situação durou sete anos.”

Segundo Knight, até os preços das moradias caíram. “Alguém me disse que eles tiveram que reduzir sua renda em 30% em razão desse assunto”, diz ele, apontando para o imponente edifício de quatro andares, tijolo vermelho e janelas brancas, que abriga à sua esquerda a Embaixada do Equador, e, à direita, a da Colômbia. Há uma dúzia de apartamentos residenciais no prédio.

Fora isso, dizem os vizinhos, a longa estadia do fundador do WikiLeaks, “não foi realmente um incômodo” segundo um deles: “Era como um vizinho que você nunca vê”, acrescenta.

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