Vale sabia da situação iminente de rompimento em Barão de Cocais há mais de 20 dias

A mineradora Vale sabia, desde 1º de março, que havia risco iminente de ruptura da Barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, pelo fenômeno de liquefação, o mesmo que resultou nos desastres de Brumadinho e Mariana. Ainda assim, a elevação para o nível 3, o último antes do rompimento, só aconteceu na última sexta-feira (22), 21 dias depois que a Walm Engenharia, auditoria externa contratada pela gigante da mineração, alertou para o quadro. As informações estão presentes em Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

“A partir de verificação das informações de monitoramento recebidos na quinta anterior (28/2) que, contendo indícios de movimentação tanto no radar, quanto nos prismas, indicou uma possível movimentação e, em função desta indício foi determinada a paralisação de qualquer atividade dentro da mina, para não expor pessoas ao risco”, afirma, em e-mail enviado à Vale, o engenheiro Marcelo Riul, da Walm Engenharia. No mesmo e-mail, Riul afirma que os dados apurados pela Walm Engenharia “indicam risco de ruptura da estrutura pelo fenômeno da liquefação”.

A situação de risco iminente de ruptura também abrange outras barragens em Minas, segundo o Ministério Público. São elas: Vargem Grande, Capitão do Mato, Dique B e Taquaras, em Nova Lima; Menezes 2, em Brumadinho; Laranjeiras e Sul Superior, em Barão de Cocais; e Forquilha 1, 2 e 3, em Ouro Preto.

Vale lembrar que a Barragem de Laranjeiras está no Complexo de Brucutu, o maior do estado, e recentemente teve suas atividades restabelecidas por decisão da Justiça. Segundo o MP, há um incrimento do risco, já que os rejeitos continuam sendo depositados na represa, mesmo que ela esteja em risco.

Diante disso, o MP pede o bloqueio de R$ 10 milhões para cada estrutura, totalizando R$ 120 milhões, para que seja custeada a auditoria técnica necessária para garantir a segurança das barragens.

Em nota, a Vale informou que ainda não foi notificada. A mineradora ressaltou que a Mina de Gongo Soco está paralisada desde abril de 2016.

 

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