Hackers vazam documentos da Vale e expõem acidentes da mineradora ao redor do mundo

O site TecMundo, especializado em tecnologia, divulgou nesta quarta-feira (30) uma série de documentos que seriam de autoria Vale, mineradora responsável pela barragem que se rompeu em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Até o momento, foram encontradas 99 pessoas mortas e outras 259 continuam desaparecidas por lá. Segundo a publicação, os arquivos foram enviados por hackers que invadiram um sistema da empresa. Neles estão relatos de acidentes e incidentes ocorridos sob responsabilidade da companhia ao redor do mundo.

O TecMundo explica ter recebido uma pasta de 500 MB com os documentos que seriam sigilosos, nessa terça-feira (29), além de uma nota dos supostos hackers (veja na íntegra ao fim do texto). Os incidentes de segurança anotados nos relatórios têm datas de 2017 a 2019 e ocorreram em áreas da Vale no Brasil e em países de diferentes regiões, como Canadá, Moçambique, Nova Caledônia e Indonésia.

Apesar de não detalhar como o sistema da Vale foi invadido, os hackers fizeram apontamentos para casos específicos. Em um deles, um assalto à mão armada teria ocorrido dentro de um duto, mas não houve registro de ocorrência policial. Em outro, trabalhadores escaparam por pouco de um desmoronamento em uma mina. Há ainda um registro de derramamento de óleo no Rio de Janeiro e a morte de um colaborador após um acidente entre um caminhão e um trem.

Classificação de incidentes de segurança

O TecMundo também apontou uma classificação de incidentes de segurança da Vale. Eles são divididos em “Acidente Pessoal”, “Acidente Material”, “Acidente Ambiental” e “Quase Acidente”. Existem ainda classificações que variam entre “Severidade” do acidente que ainda envolvem “Real” e “Potencial”.

Relatório mostra um “Quase Acidente” no Mato Grosso do Sul que poderia ser “Catastrófico”. (Reprodução/TecMundo)
Derramamento de óleo no Rio aparece como “Crítico”, mas também poderia ser “Catastrófico”. (Reprodução/TecMundo)

Veja abaixo outros documentos divulgados pelo TecMundo:

Documento discorre sobre acidente com caminhão e trem (Reprodução/TecMundo)
Ata mostra alertas de acidentes “Críticos” e “Catastróficos”. (Reprodução/TecMundo)

Procurada pelo BHAZ, a Vale informou por meio de nota que “não houve falha técnica” ou “invasão de seu ambiente de TI”. Segundo a empresa, os documentos estavam disponíveis em “área pública do site vale.com”. Veja na íntegra abaixo!

“A Vale esclarece que não houve falha técnica no site Sharepoint ou invasão de seu ambiente de TI. Os arquivos de uso interno que foram atribuídos a um vazamento, na verdade, estavam disponíveis em área pública do nosso site vale.com. As informações contidas nos documentos são registros e tratativas dos incidentes e quase acidentes de segurança. Esse registro é obrigatório na Vale e faz parte do nosso sistema de Gestão de Saúde e Segurança e Meio Ambiente”.

Nota dos hackers enviada ao site TecMundo: 

Quanto vale uma vida? Para a Vale do Rio Doce uma vida é apenas um número, uma cifra, um ponto estatístico, um risco mensurável na reputação da marca. Achamos que teriam aprendido com experiências passadas, mas é simplesmente impossível que percebam valor de uma vida, se eu mato 65 pessoas sou retirado de circulação, se uma empresa do tamanho dela mata, recebem uma multa e continuam operando normalmente. Uma multa! Não é a toa que assim a vida também tenha um preço. Eu e você todos temos um preço nessa tabela, é questão de tempo para sermos os próximos, assim que isso for rentável. Não iremos ficar quietos, lutaremos contra a estupidez com a informação. Quanto vale a vida? A vida vale mais do que a vale“.

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