Estudante da UFMG produzia drogas no próprio quarto e as vendia na deep web

A Polícia Civil de Minas Gerais levou cerca de seis meses para apurar o caso de um estudante de Química que montou um esquema de e-commerce de drogas produzidas por ele próprio, em um laboratório improvisado no quarto da república onde morava em Belo Horizonte. O suspeito por tráfico de drogas, identificado como Mateus Teixeira de Souza, de 30 anos, foi preso em flagrante no final de outubro, mas as informações sobre a investigação foram divulgadas apenas nesta quarta-feira.

Segundo o delegado Wagner Pinto, chefe do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil, Mateus cursava o 9º período de Química na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e usava seus conhecimentos adquiridos no meio acadêmico para fabricar susbtâncias alucinóginas. A comercialização era feita na deep web por meio de um portal que mostrava drogas diversas, como metanfetamina e LSD.

— Ele comprava materiais e compostos químicos vindos de países como Polônia e Holanda, montou um site em que dava orientações sobre a forma como vendia as drogas, fazia a entrega. Era um comércio de drogas explícito ofertado na deep web. Seus principais clientes eram universitários de classe média alta que frequentam raves — afirmou o delegado, acrescentando que a lista de contatos de pessoas interessadas era bastante extensa.

Ainda de acordo com Wagner Pinto, a Polícia Civil realizou um trabalho de monitoramento e vigilância ao longo de aproximadamente seis meses. A prisão em flagrante de Mateus, feita no dia 30 de outubro, foi posteriormente convertida em preventiva. O estudante foi encaminhado a um presídio, onde permanece à disposição da Justiça. Por enquanto, não se sabe se há outras pessoas envolvidas na rede criminosa. A investigação segue em andamento.

O estudante não tinha passagens anteriores pela polícia. Ele confessou que produzia e vendia as drogas, mas suas motivações para tal não ficaram claras.

— Ele alega que aprendeu a manusear os compostos químicos e entrou nesse caminho (do tráfico de drogas) — disse Wagner Pinto.

No quarto de Mateus, foram apreendidos produtos químicos, balanças de precisão e material para preparo de drogas. Também havia no local livros de Química que ele usava na faculdade.

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